Absolutismo

O Que foi o Absolutismo

O Absolutismo foi um processo de unificação dos Estados europeus, antes divididos em diversos feudos, que passaram a ser governados por um rei único e absoluto, que centralizava os poderes políticos em sua figura.

Já no período do feudalismo o rei existia, mas seu poder era bastante fragmentado, dividido com os senhores feudais e nobres.

Os primeiros países e passarem por esse processo foram França, Inglaterra, Espanha e Portugal.

Período do Absolutismo (Onde e quando ocorreu o Absolutismo)

O Absolutismo ocorreu nos países europeus, durante o processo de unificação dos Estados nacionais. Esse  processo se iniciou no século XVII e durou até fins do século XVIII.

Como surgiu o Absolutismo – História

Durante o período da Idade Média, o poder estava nas mãos dos senhores feudais e dos nobres, o rei tinha pouca participação nas decisões políticas.

Com as transformações sociais existentes no período, com o surgimento da burguesia e seu fortalecimento, as necessidades desse grupo começaram a se confrontar com os interesses da nobreza.

Para que suas reivindicações fossem atendidas, começaram a se unir ao rei que, aliado a Igreja, começava a centralizar o poder em suas mãos.

A instituição religiosa, inclusive, passa a legitimar o poder do rei afirmando que era algo divino.

Isso ficou bastante evidente no século XVII, por ser legitimado por filósofos como o bispo Bossuet.

O reinado de Luís XIV, da França, conhecido como Rei Sol, por exemplo, foi legitimado por religiosos, que diziam que era da vontade de Deus aquele governo.

Apesar de ser um governo absoluto, nenhum rei governava totalmente sozinho.

A sociedade impunha alguns limites e as tradições e costumes do povo reinado também faziam com que determinados limites fossem impostos ao monarca.

Ainda assim, o poder do rei era bastante amplo, e os monarcas privilegiavam os nobres e seus aliados.

Na França, por exemplo, os nobres não precisavam pagar impostos.

Características do Absolutismo

  • Concentração de poder na figura do rei: o rei era o responsável por nomear funcionários públicos e definir os impostos pagos pelos súditos e como o dinheiro público seria usado. Além disso, comandavam o exército e definiam quando seria declarada uma guerra ou assinado um acordo de paz. Também eram os reis que definiam as leis que seriam impostas aos súditos do reino.
  • Existência de burocracias e exércitos públicos: a organização pública era dividida em diversas instâncias e o exército era controlado pelo rei.
  • Enfraquecimento dos vínculos feudais:  no final da Idade Média, na chamada Baixa Idade Média, conflitos assolaram a Europa e uma epidemia de Peste Negra fizeram com que grande parte da população do continente perdesse a vida. Com uma quantidade menor de mão-de-obra, os senhores feudais tentaram ao máximo sobrecarregar de trabalho aqueles que sobreviveram, além de aumentar os impostos. Algumas revoltas aconteceram, fazendo com os vínculos feudais fossem, paulatinamente, sendo enfraquecidos. Além disso, a burguesia se distanciava cada vez mais dos nobres e senhores feudais, já que seus interesses estavam cada vez mais distantes.
  • Mercantilização da economia: no período em que os reinos eram desfragmentados, a comercialização de produtos era bem escassa. Com o aumento da população europeia durante o feudalismo e a estabilização social, era necessário aumentar a produção de alimentos e artigos para a vida diária. Com esse aumento, foi possível comercializar produtos para outros feudos.

Teorias do Absolutismo

As teorias que se dedicaram a tratar sobre a questão do Absolutismo tentavam legitimar essa forma de governo para a população do período.

Devemos, no entanto, nos atentar para três delas, consideradas as mais importantes, pensadas por Thomas Hobbes, Maquiavel e Bossuet.

Thomas Hobbes: em seu livro célebre Leviatã, o autor afirma que as sociedades precisam de um governo forte para sua sobrevivência, já que “o homem é o lobo do homem” ou seja, teriam uma tendência a própria destruição em busca do poder.

Maquiavel: em seu livro “O Príncipe”, lançado em 1532, defendia que o rei não deveria ser julgado pela atitude tomada, mas pela intenção por trás da ação.

Se tomasse uma atitude violenta, por exemplo, se essa tiver sido em função de proteger e manter a ordem da sociedade, os súditos deveriam ficar agradecidos, pois foi por uma boa causa.

Ele também afirmava que o monarca deveria gastar pouco, para que não roubasse seus súditos, algo bastante curioso para se pensar, levando em consideração a vida de luxo dos nobres da época.

Jacques Bossuet: defendia a lei do direito divino dos reis. Para esse bispo, os reis eram os representantes de Deus na Terra e, por isso, seu poder e governo seriam inquestionáveis.

Economia no sistema Absolutista

No período em questão a economia era organizada no sistema conhecido como mercantilismo.

Esse sistema tinha como objetivo fortalecer o poder do rei através do enriquecimento de sua nação: quanto mais rico o Estado, maior é o poder que o rei pode exercer sobre seus súditos.

Tinha como principais características o monopólio, já que as colônias dos Estados e reinos europeus só poderiam comprar e vender de/para suas metrópoles; o incentivo às manufaturas, manutenção da balança comercial favorável e o protecionismo alfandegário.

Principais Absolutistas

Alguns monarcas absolutistas se destacaram durante o período, tais como:

  • Luís XIV, o rei sol, rei da França, que começou seu governo em 1661.
  • Felipe II, rei da Espanha, a partir de 1556. Foi durante o governo do monarca espanhol que Portugal foi anexado a Espanha formando a União Ibérica, que durou até 1640.
  • Henrique VIII assumiu o trono inglês em 1509. Além de seu poder dominar os campo político e econômico, passou a dominar o religioso também. O monarca foi responsável por fundar a Igreja Anglicana depois de receber a recusa da Igreja Católica em desfazer seu casamento.

Fim do Absolutismo

O Absolutismo teve seu fim delineado no século XVIII, quando as teorias liberais começaram a aparecer em razão dos interesses da burguesia.

Um dos países precursores foi a França, culminando, em 1789, na Revolução Francesa.

A partir daí, no século XIX, outras monarquias absolutistas também foram se modificando em razão das teorias liberais, caso da Espanha e Portugal, que passaram a pressionar seus monarcas para que fizessem constituições.

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