Anfíbios

O que são anfíbios?

Os anfíbios são os descendentes mais diretos dos primeiros animais que deixaram a água doce e caminharam sobre a terra, apoiando-se em membros primitivos.

Muitas das formas que fizeram essa travessia entre a água e o meio terrestre se extinguiram.

Outras retornaram à água e outras exploram bem o meio terrestre, mas dependem muito de que ele seja úmido ou mesmo encharcado.

Os anfíbios são fundamentais na manutenção das cadeias tróficas. Como estão em grande quantidade, funcionam como base alimentar para animais carnívoros.

Características dos anfíbios

São atributos típicos dos anfíbios que vivem atualmente:

  • Pele úmida, que facilita a respiração cutânea;
  • Glândulas na pele, sendo que todas compartilham uma mesma estrutura;
  • Uma membrana no interior do ouvido que faz com que os anfíbios escutem bem ondas sonoras de alta frequência;
  • Dentes pedicelados – entre a coroa do dente e a parte basal (pedicelo) tem uma camada com fibras de proteína, um tecido mais frouxo;
  • Estratégias reprodutivas muito variadas, seja no quesito atrair parceiros ou selecionar locais para pôr os ovos.

Respiração dos anfíbios

As glândulas que os anfíbios têm na pele produzem uma secreção que deixa a pele sempre úmida.

Portanto, a umidade facilita a troca de gases respiratórios através da pele, que é conhecida como respiração cutânea.

Os embriões de algumas espécies de cobras-cegas respiram por brânquias, mas essas são absorvidas antes do nascimento.

O adulto das cobras-cegas, assim como as salamandras, sapos e rãs respiram através de um par de pulmões.

Reprodução

Os sistemas reprodutivos estão separados em indivíduos diferentes. A fêmea produz óvulos que são fertilizados no meio externo, geralmente por um único macho.

Nas salamandras, a fecundação pode ser interna: o macho transfere um espermatóforo para o interior da cloaca da fêmea.

O espermatóforo é um pacote de espermatozoides. Porém, a fecundação também pode ser externa: o macho deposita o espermatóforo em uma rocha e a fêmea coloca a abertura da própria cloaca sobre o espermatóforo.

Quando o invólucro se rompe, os espermatozoides fertilizam os óvulos dentro da fêmea. A fêmea deposita de 18 a 30 ovos.

Com raras exceções, os anfíbios se reproduzem apenas no período chuvoso.

Não existe membrana amniótica no ovo, de modo que o embrião conta com a umidade externa para não desidratar.

Na grande maioria dos anfíbios, um indivíduo diferente dos pais sai do ovo.

Se sobreviver à predação dos peixes ou à falta de chuva, ele passa por metamorfose e se transforma em um adulto.

Em algumas pouquíssimas espécies de sapos e salamandras, o indivíduo que sai do ovo é uma miniatura do adulto. Portanto, não há uma transformação do corpo, mas apenas crescimento.

Habitat

De modo geral, os anfíbios habitam áreas alagadas por água doce (brejos, pântanos, riachos, bordas de lagos naturais e represas).

Algumas espécies de sapos habitam o ambiente costeiro marinho. Existem sapos de floresta que são especialistas em aproveitar a água acumulada nas rosetas das bromélias.

Outras espécies de sapos se adaptaram a regiões secas, como a Caatinga. Eles se enterram na areia durante os períodos mais quentes afim de diminuir a perda de água.

As salamandras também se diversificaram em termos de habitat explorado: algumas são terrestres (florestas ou interior de cavernas), outras são semiaquáticas.

As cobras-cegas vivem enterradas, mas saem periodicamente para explorar a superfície.

Alimentação dos anfíbios

Nos anfíbios, os indivíduos jovens são herbívoros (consomem algas e plantas aquáticas) e os adultos são inteiramente carnívoros.

Essa divisão de hábito alimentar diminui a competição e aumenta as chances de sobrevivência dos jovens.

Os adultos comem insetos que eles capturam com a língua. A natureza permitiu que os anfíbios desenvolvessem uma língua protrátil, ou seja, que se projeta a distância considerável a partir da boca.

Em alguns casos, anfíbios podem predar outros vertebrados. Por exemplo, sapos de maior porte são capazes de consumir sapos menores.

Classificação dos anfíbios

Já foram descritas mais de seis mil espécies de anfíbios no mundo todo. No território brasileiro ocorrem cerca de 840 espécies.

Apenas cinco espécies de salamandras foram encontradas no território brasileiro, todas elas na Amazônia.

As espécies atuais de anfíbios descendem de um único ancestral e são agrupadas em Lissamphibia.

O grupo Lissamphia, por sua vez, se compõe de três grupos que recebem um nome ou outro. Esse nome varia de acordo com a obra que o estudante consulta.

Gymnophiona ou Apoda

Agrupa espécies conhecidas como cobras-cegas ou cecílias. São anfíbios cujos membros locomotores desapareceram ao longo da história evolutiva.

Os animais adotaram um estilo de vida subterrâneo, de forma que forçar a terra com a cabeça e ter olhos pequenos é mais importante do que andar sobre patas.

Urodela ou Caudata

Engloba os anfíbios que retiveram a nadadeira caudal mesmo na fase adulta. São as salamandras e os tritões.

A maioria das espécies tem um corpo que mede poucos milímetros de comprimento. Mas na China já se identificou salamandra com mais de um metro. Quase todas são aquáticas.

Salientia ou Anura

É o grupo que acolhe sapos, rãs e pererecas. Todos apresentam no estágio adulto quatro membros locomotores muito bem adaptados para o deslocamento.

Alguns têm membrana de pele entre os dedos e essa ajuda a impulsionar o corpo quando estão na água.

Sistema nervoso

O Sistema nervoso dos anfíbios é composto por um cérebro um pouco mais complexo do que o dos peixes. O cerebelo é rudimentar.

Os olhos são bem desenvolvidos na maioria das espécies. São dotados de lente cristalino e membrana nictitante, que é uma dobra de pele abaixo da pálpebra.

Essa tem a função de proteger o globo ocular contra infecções.

A audição é bem desenvolvida. Para sentir odores, os anfíbios contam com o órgão vômero-nasal. É um órgão especialmente sensível a compostos químicos associados ao comportamento social e reprodutivo.

Sistema circulatório

O coração dos anfíbios tem três câmaras: átrio esquerdo, átrio direito e um ventrículo.

A artéria pulmonar transporta sangue não oxigenado do coração até o pulmão. Durante um mergulho, o fluxo de sangue nessa artéria é interrompido por uma válvula.

Quem supre o corpo de sangue oxigenado é a artéria pulmocutânea ou várias pequenas artérias que irrigam a pele.

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