Feudalismo

O Que é Feudalismo

O feudalismo foi um sistema econômico e político surgido durante a Idade Média (séc.V- séc.XV), mas que tem suas bases construídas no final da Antiguidade, durante o processo de decadência do Império Romano.

O período de consolidação aconteceu entre os séculos XI e XIII. A divisão social desse período é bastante marcada, sendo nobres e clero os grupos dominantes, no topo da pirâmide social, enquanto os camponeses estão na base desse sistema.

Causas do Feudalismo

Para entender as origens do feudalismo é necessário retornar alguns anos antes de seu surgimento e entender as bases responsáveis por fundar esse sistema, ainda na Antiguidade.

Pode-se dizer que são dois os grandes fatores que fundamentam seu surgimento:

  • A falta de mão-de-obra escrava para trabalhar nas terras do Império e, consequentemente, manter seus níveis de produção.
  • E as invasões dos povos que ficaram conhecidos como “bárbaros”.

É importante frisar que nomear esses povos que viviam ao redor do Império de bárbaros é partir da perspectiva dos romanos, que acreditavam que tudo aquilo que não se assemelhasse a sua cultura era inferior.

Sabe-se hoje que os povos tidos como “bárbaros” eram, na verdade, os Visigodos, Francos, Hunos, Vândalos, etc.

O Império Romano teve grande expansão, ocupando terras que se estendiam do continente europeu até o africano.

Para manter suas riquezas e a continuação da prosperidade dos mais ricos, era necessário, também, aumentar o número de escravos, já que era esse tipo de mão-de-obra que trabalhava nas terras do Império e era base da economia.

Para que o número de escravizados aumentasse, era necessário expandir ainda mais o território, já que era por meio da guerra com outros povos que conseguiam pessoas para escravizar.

No entanto, não havia mais possibilidade de entrar em conflitos, já que os mais ricos faziam o possível para não pagar impostos, e as classes mais pobres não tinham meios para tal, já que faltava emprego em razão da utilização do trabalho escravo.

Essa sociedade que era majoritariamente urbana, vê nesse espaço, mais de perto, as consequências da crise que se instalava.

Fugindo do perigo trazido pelos ataques dos “bárbaros”, o banditismo que assolava as cidades, e das lutas sociais, os grupos mais nobres seguiram para suas terras na zona rural, onde teriam acesso a tudo que necessitavam para viver.

Além dos nobres, as classes mais pobres também foram se refugiar na área rural do Império, trocando sua força de trabalho por um pedaço de terra da propriedade de um nobre.

Dessa forma, resolvia-se o problema dos nobres que precisavam de gente para trabalhar em suas terras, dos pobres que precisavam de um lugar para viver e se proteger e do Estado, que teria seus impostos pagos.

Os escravos também foram para a zona rural em busca de proteção, ganhando terras dos poderosos e melhorando seu status social.

Obviamente, as terras cedidas pelos mais ricos não eram uma forma de caridade.

Em troca de ter um espaço de terra para cultivar, um lugar para viver e proteção, deveriam dar parte de sua produção para o nobre e trabalhar de forma gratuita na reserva senhorial (parte da terra onde toda a produção era do proprietário).

Além da impossibilidade de conseguir novos escravos, as invasões de outros povos foi um fator crucial para a fragmentação do Império e, mais tarde, formalizar seu fim.

Para os romanos não era desconhecida a presença de outros povos ao redor do Império, inclusive com sua expansão territorial, esses povos foram sendo “empurrados” para regiões cada vez mais distantes de seus assentamentos originais.

Existia uma série de trocas comerciais entre diversos povos e os romanos, alguns deles eram, inclusive, federados à Roma: grupos que viviam próximo ao Império Romano e faziam acordos de defesa militar desse espaço, contando, inclusive, com a presença de nobres desses povos fazendo parte do alto escalão do exército romano, caso de príncipes francos e alamanos e aristocratas godos.

Era vantajoso para ambos, especialmente para os romanos, que tinham medo de uma possível invasão de povos que viviam em localidades mais distantes.

A queda de Roma não aconteceu de maneira súbita, foi um processo longo de invasões e levantes dos bárbaros contra arbitrariedades impostas pelos romanos e pelo próprio interesse que alguns desses povos tinham em expandir seus territórios e angariar uma quantidade maior de riquezas.

Com as frequentes invasões, o Império Romano, aos poucos, foi sendo fragmentado, deixando de ser uma unidade, um Império.

Cada parte de seu território passou a ser, então, dominada por um grupo de “bárbaros”: Visigodos, Burgundios, Hunos, Francos, Alamanos, Vândalos e Bretões.

O período do Feudalismo

O feudalismo tem suas bases formadas por volta dos séculos IV e V, mas tem sua expansão e apogeu entre os séculos XI e XIII.

Características do Feudalismo

Economia agrária

A economia do feudalismo era baseada na agricultura, setor que envolvia quase todas as pessoas.

Havia grande preocupação em produzir nos feudos tudo aquilo que era necessário para a sobrevivência daqueles que ali viviam.

No entanto, apesar de dominar a economia, a agricultura não era a única atividade econômica exercida, pois também havia o artesanato e trocas comerciais.

Essas trocas variavam de acordo com cada região e eram realizadas especialmente com produtos considerados importantes, mas que não eram produzidos em todas as propriedades, como é o caso do sal.

Sociedade dividida em ordens

Na sociedade feudal existiam duas formas de relação sociais: a vassalagem (vassalos), que unia os nobres por meio da lealdade e a servidão, que assegurava a exploração do campesinato e a suserania (suseranos).

Era uma sociedade dividida em três ordens: os clérigos (oratores), os guerreiros (bellatores) e os trabalhadores (laboratores).

Essa pirâmide social tinha em seu topo os clérigos, que dividiam esse lugar com os nobres.

No meio, os guerreiros, responsáveis por defender o feudo, guerrear por novas terras e defender a fé cristã.

Na base da pirâmide ficavam os trabalhadores, em maior quantidade, representados pelos artesãos e servos.

Poder político fragmentado

Diferente do Império Romano, já não havia mais um poder político central.

Apesar da existência de um, rei que era o suserano de seus vassalos (os outros senhores feudais), ele exercia poder somente em seus senhorios, não exercendo poder direto sobre toda a população.

Cada senhor feudal tinha poder sobre seu feudo, exercendo seus poderes e protegendo a população que ali vivia.

A nobreza de ser cavaleiro

As terras feudais precisavam ser protegidas dos possíveis ataques de outros povos e eram os cavaleiros os responsáveis por essa missão.

Não era tarefa fácil ou barata formar um cavaleiro: era preciso comprar armas, ter um cavalo e, constantemente, realizar treinamentos para aprimorar as técnicas de luta.

É por esse motivo que eram os grupos pertencentes à nobreza ou apadrinhados por ela que se formavam cavaleiros.

A partir do século XI, esses cavaleiros começaram a ganhar status social mais elevado.

Grande influência da religião na sociedade

A Igreja Católica, desde os fins da Antiguidade, tinha grande influência nas sociedades da Europa Ocidental.

Os indivíduos tinham suas vidas controladas pelos postulados da Igreja, o que ela impunha como o correto para se viver: havia controle sobre o tempo, as relações sociais, os valores culturais e mentais.

Era ela que determinava quando as guerras poderiam ou não acontecer, lembravam que os fenômenos naturais existiam, na verdade, por vontade de Deus e cabia ao clero orar para que as chuvas caíssem no tempo certo, os tempos de jejuar, etc.

Como funcionava o feudalismo

O feudalismo era baseado na posse de terras e nas relações de suserania e vassalagem. Os suseranos eram os senhores feudais, que cediam terras a nobres e cavaleiros, os vassalos.

Para que um nobre se tornasse vassalo era necessário um ritual de fidelidade, no qual o vassalo prometia ao suserano que defenderia as terras recebidas e seria fiel ao senhor feudal.

Para cultivar a terra existiam os camponeses, que deviam obediência e fidelidade ao senhor.

Em troca de um lugar para morar e poder produzir e de proteção, tinham que cultivar as terras do senhor de maneira gratuita e pagavam uma série de impostos: precisavam dar parte de sua produção ao senhor ou pagar em moeda (algo que só vai acontecer a partir do século XI com avanços na economia feudal), pagar impostos quando se casavam, por exemplo.

Praticamente não havia mobilidade social nessa sociedade, ou seja, aquele que nascia nobre seria sempre nobre, quem nasceu em uma família de artesãos seria, também, artesão.

A partir do século XI, com as mudanças econômicas e a necessidade de defender os feudos das invasões árabes, as relações vão se modificando.

Aspectos econômicos

A sociedade feudal era majoritariamente agrária e vivia na zona rural.

A partir do século XI a economia feudal é alavancada, especialmente pelas inovações técnicas que desenvolveram o setor agrícola: criação da charrua, instrumento que revolvia a terra e aumentava sua fertilidade; o sistema de rodízio de terras, que era a alternância no plantio de culturas; moinho de água, etc.

O aumento da produção de alimentos permitiu que os camponeses pudessem vender o excedente de sua produção nas cidades.

A circulação de moedas, que até então era bem baixa, aumenta em razão dos interesses comerciais dos camponeses e dos senhores feudais, que tinham interesse em comercializar com outros povos.

Há o desenvolvimento da pecuária, com a criação de gado bovino, para fornecimento de alimentos e força de trabalho para agricultura e ovino (ovelhas) para o fornecimento da lã utilizada pelos artesãos.

A Igreja tinha papel bastante importante nessa sociedade, se considerando a responsável por representar as vontades de Deus na Terra, inclusive a divisão social em ordens era, de acordo com os clérigos, uma vontade divina.

Influenciava o cotidiano de camponeses e senhores feudais, especialmente no controle do tempo.

Além disso, no alto clero (bispos, papas, arcebispos) eram alocados nobres, normalmente aqueles que não eram primogênitos, mantendo, assim, o elo de ligação entre nobreza e o clero.

Política no feudalismo

A política, nesse período, era descentralizada, o poder não era mais centrado em um rei, apesar deste ainda continuar existindo.

Os senhores feudais deviam obediência ao rei, mas eram eles os responsáveis por defender, cobrar impostos e expandir seus próprios feudos.

Crise do feudalismo

A crise do feudalismo não aconteceu de repente, mas foi um processo iniciado ainda nos séculos XII-XIII, mas agravado no século XIV.

Em razão da expansão feudal, foi necessário desmatar uma quantidade maior de porções terra para plantio e criação de animais.

Possivelmente esse desmatamento foi responsável pelas alterações climáticas, mudando a quantidade de chuvas e o período de frio da Europa Ocidental.

Essas alterações causaram prejuízos na colheita e, consequentemente, não havia como alimentar toda a população, gerando um surto de fome.

A subnutrição da população foi agravada por epidemias, que ganharam espaço em corpos já fragilizados pela fome, causando um grande número de mortos.

Essas epidemias só não foram mais trágicas que a Peste Negra, responsável por levar a óbito cerca de 30% da população europeia do período.

Essa doença é transmitida pela pulga de ratos, e chegou até a Europa por meio das trocas comerciais entre genoveses e asiáticos e se espalhado pelo continente.

Com uma quantidade menor de pessoas, as relações sociais ganham novos contornos.

A pirâmide social que, até então, não permitia qualquer mobilidade, passa a precisar unir nobres e camponeses mais prósperos para que as linhagens familiares possam continuar existindo.

É, nesse momento que os reis passam a ter maior envolvimento com seus vassalos, ensaiando uma nova centralização do poder nessa figura.

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