Iluminismo

O Que foi o Iluminismo?

O Iluminismo foi um movimento do campo intelectual, filosófico.

Suas ideias de liberdade surgiram no século XVIII e abalaram as estruturas de uma Europa absolutista, atingindo os campos político e social.

Além do continente europeu, suas ideias chegaram  às colônias americanas, influenciando grandes revoluções e guerras por independência.

Quem foi o criador do Iluminismo?

É possível afirmar que o Iluminismo não teve um fundador, mas um conjunto de filósofos considerados os fundadores do Iluminismo, como: Rousseau, Montesquieu, Descartes, Hobbes, John Locke, Espinosa, Bayle, dentre outros.

Período do Iluminismo

(Quando começou e quando terminou)

O Iluminismo surgiu no início do século XVIII (apesar de suas bases terem iniciado no século anterior) e tem seu fim marcado em 1789, ano da Revolução Francesa, apesar de suas ideias ainda serem bastante presentes até hoje.

O que significa a expressão século das luzes?

O século XVIII foi considerado o “século das luzes” porque os iluministas acreditavam que a razão era a luz dos pensamentos, era o que iluminaria a sociedade e daria a ela a liberdade de escolha necessária.

A Idade Média, em contrapartida, e o período anterior ao Iluminismo eram considerado o período das trevas, ou seja, não eram iluminados pela razão, vivendo sob a sombra do que era ditado pelos reis e pela Igreja.

Leia também: Idade Média

Motivos para ocorrer – História

Ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII a Europa sofreu uma série de transformações, inclusive no campo das ideias.

O Renascimento e as revoluções científicas do período foram, também, influência de uma burguesia crescente, que passava a ter cada vez mais poder e, por isso, conseguia maior espaço e liberdade para expor suas ideias.

No entanto, a burguesia no período do Renascimento tinha interesses diferentes da burguesia do século XVIII.

É importante entender o contexto do período de surgimento do Iluminismo. Os Estados nacionais eram governados por reis absolutistas que, de acordo com a Igreja, tinham seu poder justificado por ser algo divino, seriam representantes de Deus na Terra.

O poder absoluto do rei ia contra os interesses da burguesia, que queria expandir seus negócios, aumentar suas riquezas e não usar parte de seus ganhos pagando altos impostos ao rei.

Esse incômodo da burguesia e de parte da sociedade, além das revoluções científicas e do renascimento, foram os responsáveis por modificar a forma de pensar da população e responsáveis por, mais tarde, o surgimento do Iluminismo.

Características do Iluminismo

Valorização da razão acima de tudo: os iluministas acreditavam que somente o pensamento livre de crenças e de culto a deuses e homens poderia ser realmente livre.

As pessoas deveriam ser capazes de pensar por si só, sem a necessidade de um rei ou de um líder religioso ditando aquilo que deveria ser considerado como certo ou errado.

  • Pensamento laico: o pensamento deveria ser livre de crenças religiosas e julgamentos divinos. O poder deve ser mantido e decidido pelo povo e não pela religião. Igreja e Estado devem ser separados.
  • Separação dos três poderes: para que o Estado fosse governado de maneira mais justa e diluída, os campos legislativos que governavam deveriam estar separados: executivo, legislativo e judiciário.
  • Surgimento da Enciclopédia: tentativa de levar a razão ao povo comum. Surgiu a partir da iniciativa de d’Alembert e Diderot de compilar diversos textos nas áreas da música, literatura, ciências, política, artes, dentre outras, escritos por diversos filósofos iluministas, caso do próprio Diderot, Voltaire, dentre outros.

O Que criticava o Iluminismo

Absolutismo: os filósofos iluministas criticavam o absolutismo, que privilegiava uma camada da população em detrimento de outras.

Clero e nobres não pagavam impostos, enquanto camponeses e a burguesia precisavam pagar altas taxas para o rei.

Além disso, era o rei o responsável por controlar, também, a economia.

A soberania da Igreja: os iluministas criticavam a forma dogmática da Igreja de ver o funcionamento do mundo e da vida.

Foi nesse período que surgiram diversas pesquisas e descobertas no campo das ciências naturais, caso da ampliação da lista de elementos químicas feita pelo francês Lavoisier, a criação das escalas de temperatura pelo alemão Fahrenheit e pelo sueco Celsius, o também sueco Carlos Lineu desenvolveu a classificação das espécies vegetal e animal, entre tantas outras pesquisas que refutavam o que a Igreja pregava como divino e sem explicação.

Os privilégios da nobreza e do clero: clero e nobres eram a classe mais alta dentro dessa sociedade, depois do rei. Não pagavam impostos e o clero e o rei eram extremamente conectados.

Liberdade na economia: no absolutismo, era o rei que controlava como seria o desenvolvimento da economia, que naquela época era regida pelo mercantilismo.

Os iluministas acreditavam que a economia deveria ler livre, praticamente sem a intervenção estatal.

Surge, no século XVIII, o liberalismo econômico, tendo Adam Smith como principal teórico.

Pensadores (Filósofos) Iluministas

John Locke: inglês, defendia a existência de propriedades privadas, a existência de uma Constituição e o direito do povo de se revoltar.

Montesquieu: para esse filósofo francês o poder deveria ser dividido em três, ao invés de uma única pessoa, o rei, ter todo o poder para ele.

Os três poderes, então, seriam: executivo, legislativo e o judiciário.

Voltaire: francês, defendia a liberdade de expressão, as liberdades civis, de maneira geral e a liberdade religiosa. Criticava os privilégios que o clero e a nobreza detinham.

Rousseau: o suíço Jean-Jacques Rousseau defendia que o desejo da maioria deveria ser privilegiado em face dos desejos individuais.

Defendia o fim das propriedades privadas e a eleição dos governantes por meio de voto universal.

Adam Smith: acreditava na mão invisível do Estado, ou seja, a máquina pública deveria intervir o mínimo possível para que a economia pudesse verdadeiramente crescer.

Movimentos influenciados pelo iluminismo

O Iluminismo influenciou algumas revoluções na Europa e na América. No continente europeu a mais famosa de  todas é a Revolução Francesa, de 1789.

No Haiti, na América Central, então colônia francesa, após a Revolução de 1789, também se rebelou buscando sua independência.

Na América do Norte, as Trezes Colônias Inglesas também se levantaram contra o governo inglês e conseguiram sua independência ainda no século XVIII.

Uma série de revoltas aconteceram em toda a América Espanhola por influência das ideias iluministas, especialmente após a Revolução Francesa.

Essas revoltas culminaram em inícios do século XIX, na independência de diversas colônias espanholas.

Iluminismo no Brasil

As ideias iluministas também chegaram ao Brasil. Marquês de Pombal, ministro do rei português D.  José I, que chegou ao poder em meados do século XVIII, foi o responsável por algumas reformas na economia, permitindo o funcionamento de algumas manufaturas nas colônias.

Além disso, foi responsável por expulsar do Brasil os jesuítas, religiosos da Igreja Católica responsáveis por cuidar da educação e conversão das almas na colônia.

Além das reformas trazidas por Pombal, as elites brasileiras também foram responsáveis por alguns levantes.

A Inconfidência Mineira, acontecida em 1789, foi organizada pela elite mineira, formada por negociantes, intelectuais e alguns religiosos que tinham como objetivo transformar a capitania independente da coroa portuguesa.

O principal motivo da revolta seria a cobrança da derrama, imposto sobre o ouro.

O movimento não teve sucesso pois foi denunciado ao governador e os inconfidentes condenados ao exílio, com exceção de Tiradentes, que foi condenado a morte.

Na Bahia, em 1798, a Conjuração Baiana, organizada por intelectuais, mas com sua base formada por elementos das camadas mais populares.

Os revoltosos reivindicavam maiores salários para os soldados, possibilidade de comercializar com outros países e ser uma República Bahiense, independente de Portugal.

O levante também não obteve sucesso e os revoltosos condenados à morte.

O Que marca o fim do Iluminismo

As ideias do Iluminismo reverberaram e ainda reverberam até a atualidade.

O fim do século das luzes é marcado pela Revolução Francesa, acontecida em 1789. O levante foi liderado pela burguesia francesa, mas com apoio popular.

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