Música Erudita

O que é música erudita?

A música erudita, também conhecida como clássica ou música de concerto, é a dominação dada à música produzida no Ocidente desde a Idade Média, abarcando múltiplos períodos históricos, até os dias atuais.

Este tipo de música pode ser tanto religioso quanto secular e utiliza os mais diversos tipos de instrumentação, em geral, acústica.

Em relação a essa denominação, ‘erudito’ significa ‘conhecimento’. Portanto, ‘música erudita’ é a aquela feita com conhecimento ou instrução, ou seja, exige estudos acadêmicos e formais para sua execução.

A música erudita também pode ser entendida como música que tem a função de arte, em oposição à música feita para entretenimento, como aponta o musicólogo Julian Johnson.

História da música erudita

A história ocidental da música erudita se inicia, aproximadamente, no séc. IX com a música litúrgica católica e tem suas origens teóricas na Grécia antiga.

Os gregos, então, sistematizaram os modos musicais que foram utilizados amplamente no cantochão (música litúrgica católica da Idade Média) até mais ou menos o fim da Renascença, início do séc. XVII.

Já a partir do barroco (séc. XVII), começa a ser desenvolvido o sistema tonal e as relações harmônicas que são utilizados até os dias atuais.

Vale ressaltar que, no séc. XX, esse sistema foi quebrado dando lugar ao atonalismo e outras correntes. Hoje em dia, ambos os sistemas coexistem.

Essa história é dividida em 6 grandes períodos: Idade Média, Renascença, Barroco, Clássico, Romântico e Séc. XX até os dias atuais.

Características da música erudita

A música erudita é bastante diversificada, porém alguns elementos são comuns aos diversos estilos:

  • Sistema de notação (partitura): começou a ser desenvolvido no período medieval com as neumas (mostram alturas relativas) até encontrar a estrutura que conhecemos hoje no período clássico (alturas fixas).
  • Orquestração: o repertório sinfônico ocupa grande parte da música erudita, contendo variados tipos de instrumentos. As orquestras mudaram de instrumentação e tamanho ao longo dos séculos.
  • Variedade: a música erudita tende a ser mais variada no que diz respeito às formas musicais, aos fraseados, níveis de dinâmica e à harmonia. Além disso, não é comum usar muita repetição nesse gênero musical.
  • Complexidade: as obras musicais exigem um alto nível técnico dos intérpretes, além de demandar um vasto conhecimento em relação às formas musicais, à leitura de partituras e ao estilo dos compositores.

Principais compositores da música erudita

Os compositores que entraram para o cânone da história da música são inúmeros.

Essa relevância se dá, muitas vezes, pelo compositor ter sido responsável por mudanças estilísticas ou pela criação de grandes obras.

Idade Média

  • Léonin (c.1135-1201);
  • Pérotin (c.1160-1236);
  • Guillaume de Machaut (c.1300-1377);

Renascença

  • Josquin des Prez (c.1440-1521);
  • Thomas Tallis (c.1505-1585);
  • Giovanni Pierluigi da Palestrina (c.1525-1594);

Barroco

  • Claudio Monteverdi (1567-1643);
  • Jean-Baptiste Lully (1632-1687);
  • Antonio Vivaldi (1678-1741);
  • Georg Friedrich Händel (1685-1759);
  • Johann Sebastian Bach (1685-1750);

Clássico

  • Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788);
  • Franz Joseph Haydn (1732-1809);
  • Wolfgang Amadeus Mozart  (1756-1791);

Romântico

  • Ludwig van Beethoven (1770-1827);
  • Franz Schubert (1797-1828);
  • Robert Schumann (1810-1856);
  • Frédéric Chopin (1810-1849);
  • Franz Liszt (1811-1886);
  • Richard Wagner (1813-1883);
  • Gustav Mahler (1860-1911);

Séc. XX

  • Claude Debussy (1862-1918);
  • Arnold Schönberg (1874-1951);
  • Ígor Stravinski (1882-1971);
  • Heitor Villa-Lobos (1887-1959);
  • John Cage (1912-1992);
  • Benjamin Britten (1913-1976);
  • György Ligeti (1923-2006);

Estilos de música erudita

Os estilos musicais são os mais variados, coexistindo estilos diferentes dentro de um mesmo período histórico.

A divisão abaixo ressalta as principais características de cada período.

Idade Média (séc. IX-XIV)

A predominância deste período é música litúrgica católica, ou seja, aquela feita para os ritos dentro das Igrejas.

Destaca-se, aqui, o canto gregoriano ou cantochão.

Esse estilo de canto é monódico, isto é, feito para uma voz ou várias vozes em uníssono (cantando a mesma nota) e não tem acompanhamento instrumental.

Já para o fim deste período, a polifonia (canto para mais de uma voz independente) começa a predominar.

As músicas também começam a ganhar acompanhamento instrumental.

Os principais gêneros musicais são: moteto, virelai, ballade, rondeau e organum.

Renascença (séc. XV-XVI)

Durante o renascimento, coexistiram diferentes gêneros musicais, sendo que cada país possuía uma característica musical particular.

De modo geral, os gêneros vocais ainda são bastante predominantes neste período, tendo formas polifônicas muito mais elaboradas que o período anterior.

Porém, a música instrumental ganha mais espaço, criando-se mais instrumentos: alaúde, vihuela, viola da gamba, virginal, sacabuxa, corneto, entre outros.

Em relação à composição, a polifonia e os modos gregos ainda são bastante predominantes, porém desenvolve-se o uso da musica ficta, ou seja, notas alteradas com acidentes musicais (sustenido e bemol).

Os principais gêneros são: madrigal, chansons (canções), moteto, missa, dança, ricercare e fantasias.

Vale ressaltar que há muito espaço para improvisação neste período.

Barroco (séc. XVII-XVIII)

Uma das características chaves da música barroca é o uso excessivo de ornamentação (notas que floreiam a melodia).

Neste período, novos instrumentos são fabricados e a ópera é desenvolvida.

Outra característica é a presença da retórica-musical, ou seja, o texto era mais importante que a música e esta tinha a função de embelezá-lo.

Para isso, usava-se diversas figuras musicais (assim como as figuras de linguagem que conhecemos hoje) para representar inferno, dor, lamento, alegria, louvor, etc.

A música vocal apresenta um grande lirismo aqui, exigindo um alto nível técnico para se cantar as diminuições (notas com valor menor).

Já a música instrumental ganha mais repertório, como as tocatas, prelúdio e fuga, passacaglia, entre outros.

Além disso, o cravo era, podemos dizer, o instrumento principal, pois funcionava como um baixo contínuo, um acompanhante, para orquestras e solistas vocais e instrumentais.

Os principais gêneros são: ópera, cantata, oratório, prelúdio e fuga, monodia acompanhada e suítes.

Classicismo

O período clássico destaca-se pela estabilização do sistema tonal, pelo grande desenvolvimento da música instrumental (tendo o piano como predominante) e pelo surgimento das sinfonias.

Além disso, a música de câmara (feita para poucos instrumentos) ganha maior relevância. Surgindo, assim, os famosos quartetos de cordas.

A música clássica é marcada por quatro principais gêneros musicais: a sonata (forma sonata), o concerto (orquestra e um instrumento solista), a ópera buffa e as sinfonias.

Romantismo (séc. XIX-XX)

A música romântica é caracterizada por uma grande força expressiva, levando a maiores contrastes de dinâmicas, variações timbrísticas, harmonia mais complexa e linhas melódicas mais extensas.

Como principais características, pode-se destacar que as orquestras se tornaram maiores, os instrumentos mais volumosos e a harmonia mais colorida, tendo muito cromatismo e modulações.

Outro elemento são as formas musicais que se tronam mais livres do que as do período anterior, como os prelúdios e o lied (canções alemãs acompanhadas por piano).

Os principais gêneros são: sinfonias, óperas, prelúdios, fantasias, lied e rapsódias.

Século XX

Esse período da música erudita tem duração até os dias de hoje e é marcado pela rejeição às formas musicais, à tonalidade e ao uso da instrumentação tradicional.

Por isso, é possível ver muitas peças que utilizam instrumentos modificados, colocando borrachas e pregos dentro do piano, por exemplo, a fim de criar diferentes sonoridades.

Em relação à harmonia, o atonalismo é presente (quebra com a estrutura tonal dos períodos anteriores), assim como o serialismo (várias série de notas musicais) e o dodecafonismo (série de 12 notas sem repetição).

Outra característica é que instrumentos eletrônicos passam a ser utilizados, como o sintetizador. Também o som natural começa a ser misturado com sons industriais, o que chamaram de música concreta.

Instrumentos populares usados na música erudita

As instrumentações orquestrais atuais são divididas entre o naipe das cordas, madeiras, metais e percussão.

Cordas: violino, viola, violoncelo, contrabaixo

Madeiras: flauta, oboé, clarinete e fagote

Metais: trompete, trompa, trombone e tuba

Percussão: marimba, xilofone, tímpano, pratos, triângulo, gongo, entre outros.

Também existem outros instrumentos poucos utilizados junto com a orquestra e mais usados como solistas ou em música de câmara: violão clássico, piano e harpa.

Referências:

GROUT, Donald J.; PALISCA, Claude V. História da Música Ocidental. Lisboa: Gradiva, 2011.

JOHNSON, Julian. Who Needs Classical Music?: Cultural choice and musical value. Oxford: Oxford University Press, 2002.

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