Répteis

O que são répteis?

Na visão dos cientistas atuais, o que chamamos de répteis está longe de ser um grupo natural.

O conceito de grupo natural é aquele que reúne formas de vida que compartilham um mesmo ancestral.

Se juntássemos todos os répteis para formar um grupo natural, deveríamos incluir também as aves nesse agrupamento.

Sim, existem evidências de que as aves e os répteis têm um ancestral em comum.

No entanto, até pouco tempo atrás esse parentesco próximo era desconhecido.

Então, virou uma tradição deixar de fora as aves quando se consideram os répteis.

Pense nessa sequência de grupos: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Notamos uma tendência evolutiva nessa cadeia de grupos e reconhecemos que existe nela um “progresso”.

Portanto, conceituamos répteis como aqueles que alcançaram um mesmo estágio evolutivo dentro de uma orientação que vai de vertebrados mais simples até mais complexos.

Características gerais dos répteis

Os répteis são:

  • vertebrados – o eixo ósseo que sustenta o corpo (a coluna vertebral) é formado por porções chamadas vértebras;
  • amniotas – o ovo que as fêmeas dos répteis expelem tem uma membrana de nome âmnio. Essa membrana encerra o líquido amniótico, permitindo que o embrião se desenvolva em meio aquoso, mas sem depender de água que esteja no exterior do ovo;
  • tetrápodes – a grande maioria dos répteis se desloca usando quatro membros locomotores. As serpentes e os lagartos ápodes não têm esses membros, mas os ancestrais que deram origem a eles os tinham;
  • dioicos – o corpo de cada indivíduo está aparelhado com sistema reprodutor de apenas um sexo;
  • escamosos – a camada superficial da pele dos répteis é coberta por escamas feitas de queratina. Em alguns répteis as escamas permanecem a vida toda, em outros elas são substituídas de tempos em tempos;
  • ectotérmicos – usam como principal fonte de calor para aquecimento do corpo elementos do meio ambiente (luz do sol, irradiação de ondas de calor por rochas).

Reprodução dos répteis

Nos répteis a fecundação é sempre interna. Durante a cópula, o macho introduz o pênis na cloaca da fêmea, fertilizando os óvulos.

A fêmea pode expelir ovos e aguardar a abertura deles. A casca dos ovos dos répteis não é tão endurecida quanto a casca dos ovos das aves.

Uma fêmea réptil também pode expelir os filhotes, embora esses tenham se desenvolvido no interior de ovos que passaram a gestação retidos dentro da fêmea. Nesses dois últimos casos, o tipo de reprodução é chamado de:

  • Ovoviviparidade: quando os embriões dependem do material nutritivo (vitelo) armazenado no ovo.
  • Viviparidade: quando os embriões dependem da transferência de nutrientes da fêmea para eles.

Habitat dos répteis

Os répteis têm sucesso na ocupação de diferentes ambientes, contanto que esses não sejam muito frios:

  • Rios e mares tropicais
  • Caatinga e desertos
  • Florestas úmidas e secas
  • Savanas (incluindo o cerrado brasileiro)
  • Áreas abertas como campos e morros com afloramentos rochosos.

Digestão dos répteis e alimentação

A maioria dos répteis tem língua robusta e dentes capazes de rasgar e triturar. O esôfago dos répteis é um pouco mais longo que o dos anfíbios.

O estômago é simples. Somente nos crocodilianos (crocodilos, jacarés) é que o estômago tem uma parte muscular.

Quando o alimento passa pelo intestino delgado, recebe as enzimas produzidas pelo fígado e pela vesícula biliar.

Depois o alimento se dirige ao intestino grosso, onde ocorre a absorção de nutrientes e de água.

O intestino grosso termina na cloaca, que é um compartimento oco. A cloaca abriga também a saída do sistema circulatório e do sistema reprodutor.

A grande maioria das espécies de répteis é carnívora. Elas consomem invertebrados (larvas de insetos, moluscos) e vertebrados pequenos (peixes, rãs, roedores e aves).

Em algumas espécies, os hábitos carnívoros vão sendo abandonados à medida que o indivíduo atinge a vida adulta.

O adulto adquire hábitos herbívoros.

Respiração

A respiração através da pele (cutânea) é menos comum nos répteis, mas existe.

As frestas de pele que ficam entre as escamas podem fazer troca de gases respiratórios. A parede da cloaca também consegue realizar essas trocas.

O órgão principal na respiração dos répteis são os pulmões. Esses ficam entre as costelas.

O ar entra pelas narinas, segue pela traqueia e vai até o interior de pequenas bolsas de fundo cego chamadas favéolos.

Elas se localizam dentro dos pulmões. Nas paredes dos favéolos, o sangue corre dentro de vasos capilares.

É aí que ocorrem as trocas de oxigênio e gás carbônico.

Classificação dos répteis

Muitas formas reptilianas, como os dinossauros, já estão extintas. A classificação apresentada aqui se refere somente a espécies que estão vivas atualmente. Dois grupos principais:

Testudines: aqueles que apresentam um crânio compacto, sem nenhuma abertura na sua porção lateral. Exemplos: tartarugas, cágados e jabotis.

Eureptilia: aqueles com duas aberturas na porção lateral do crânio. São subdivididos em dois grupos:

1) Lepidosauromorpha: aqueles que se assemelham a lagartos, como os próprios lagartos e as serpentes.

2) Archosauromorpha: aqueles que mantiveram uma morfologia mais primitiva. Exemplos: crocodilos, aligátores e jacarés.

Exemplos de répteis

Atualmente são conhecidas 8.073 espécies de répteis. Os pesquisadores já catalogaram:

  • mais de 7.000 espécies de lagartos, serpentes e cobras-de-duas-cabeças
  • 300 espécies de tartarugas e jabutis
  • 24 espécies de crocodilos e jacarés.

Alguns exemplos interessantes de répteis atuais são:

  • Tartaruga verde ou aruanã: pesa em média 160 kg. Pode ser observada em praias da costa do Brasil ou em ilhas próximas da costa.
  • Tuatara: com um perfil de réptil primitivo, recebeu o nome científico de Sphenodon punctatus. Ocupa ilhas que ficam próximas da costa da Nova Zelândia.
  • Lagarto de vidro: O gênero Ophiodes reúne quatro espécies de lagartos com o corpo cilíndrico.

Eles não têm membros locomotores na parte dianteira do corpo e os membros de trás são pouco desenvolvidos. Alimentam-se especialmente de aranhas e grilos.

  • Gavial: parente dos jacarés e crocodilos, o gavial ocorre apenas nos rios da Índia e do Nepal.

Répteis em extinção

O principal fator que leva espécies a entrar em extinção é a modificação drástica do ambiente que eles habitam.

Quando o ser humano remove florestas, contamina a água dos rios e polui os oceanos, ele ajuda a expor animais (inclusive répteis) ao risco de extinção.

Algumas das 287 espécies de répteis indicadas como altamente ameaçadas de extinção são:

  • Aligátor chinês (Alligator sinensis)
  • Tartaruga da cabeça grande de Madagascar (Erymnochelys madagascariensis)
  • Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)
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